sexta-feira, 31 de outubro de 2025
Sentir, logo cedo, o pulsar do meu coração mais acelerado que antes. Ao abrir os olhos, percebo mais um lindo amanhecer. Estou imóvel por uma fração de segundos; perco o sentido de quem sou, onde estou e o porquê de todas as coisas. Nunca me ocorrera antes tal questionamento inconsciente.
Logo volta a mim a consciência que me fugira. No entanto, ainda assim, indago a mim mesma a respeito das questões da vida: por que uns fardos são mais pesados do que outros?
Penso na criança que fui. Naquela que carregou o que não era dela, que guardou calada o peso do desejo dos outros. Refiro a mim mesma, quanto todos os gritos silenciosos deveriam ter sido ouvidos, quando em meus olhos O medo que morava logo virou ódio. Depois, só sobrou dor.
Inexplicável o que se sente, incompreensível o que se ouve. E ainda hoje, lamentavelmente resquícios de memórias afligem camadas intracelulares que vão para além do meu corpo — feristes também minha alma.
Ferida que não cicatriza Dor que não se passa, o sorriso se tornou minha maior arma.
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