terça-feira, 7 de julho de 2026
Que dor que mim dá, que arrepio incontrolável, e essa lágrima que rola sem que eu nem perceba. Que dor que é essa que tanto me fere toda vez que um corpo negro é perfurado? Meu sangue também escorre ladeira abaixo toda vez que um dos meus cai.
Deus, que gente desgraçada, sem humanidade, você criou? Porque não somos nós quem os mata. São mais de 500 anos de morte. Quantos de nós aguentou? Quantos ainda vão aguentar? Quantas mães ainda vão chorar? Quantas crianças ainda terão a infância roubada antes mesmo de aprenderem o significado da palavra liberdade?
Não. Essa dor que eu sinto agora… Essas lágrimas de ódio, esse arrepio de vingança, essa dor na alma toda vez que uma palavra a mim ou a qualquer outro dos meus é direcionada. Universo, me traz ao mundo novamente como alguém com poder suficiente pra causar nesse povo tudo que tem feito pela gente.
Hoje não foi uma bala. Hoje foram correntes invisíveis. Uma mulher negra, entregue ainda criança, teve a vida inteira roubada. Trabalhou desde os sete anos até envelhecer servindo quem nunca enxergou sua humanidade. Tentaram colocar preço em décadas de liberdade arrancada. Como se a infância tivesse valor. Como se a juventude pudesse ser devolvida. Como se uma vida inteira de exploração coubesse dentro de um acordo.
Minhas lágrimas é o sangue que escorreu entre as mãos brancas e pelas correntes.
Minha dor são as almas que buscam vingança, e ela já há de vir.
Porque chamam de caso isolado, eu chamarei pelo nome que a história conhece: uma ferida que nunca deixou de sangrar.
quinta-feira, 21 de maio de 2026
Tem texto que nasce como postagem…
e tem texto que claramente nasceu pra virar cicatriz impressa.
Alguns dos textos daqui vão sair do Blogger e entrar no meu e-book.
Vai ter ironia, caos, crítica, surtos silenciosos, reconstrução, academia, afeto mal resolvido, vida adulta dando voadora e aquela sensação específica de rir pra não enlouquecer.Basicamente: eu mesma em versão organizada. Ou quase isso.
E pra quem gosta dos bastidores, pensamentos aleatórios, opiniões duvidosas às 2h da manhã e conteúdos mais próximos do hospício premium chamado vida real… criei também meu canal no WhatsApp.
Porque sofrer em silêncio é antiquado. Hoje em dia a gente transforma em conteúdo.
segunda-feira, 27 de abril de 2026
Às vezes, precisamos sair de nós mesmas, esvaziar a mente e aliviar a alma das marcas do dia a dia. Porque quando a gente cresce aprendendo a resolver tudo sozinha, a vida ensina cedo que depender é um risco — e confiar, quase um luxo.
Na fase adulta, até entendemos que existem exceções. Mas o hábito de sustentar tudo sozinha se torna regra. Então seguimos: firmes por fora, acumulando por dentro, até o inevitável ponto de descarga.
Mas, no meu caso, o alívio não passa por ninguém.
Não é conversa, não é desabafo, não é dividir peso. É silêncio. Sou eu comigo mesma — eu e uma garrafa de vinho ou whisky, eu sozinha ou entre pessoas completamente aleatórias que vi uma única vez e nunca mais verei. Eu e a música, eu e o som, eu e minha cama. Minha paz. O que me acalma. Meus cadernos, meus livros, meus demônios.
Porque, no fim, a conta é simples: se eu não sou capaz de lidar com os meus próprios excessos, minhas falhas, meus limites — quem seria? Confiar isso a alguém nunca me pareceu uma opção viável.
Então eu resolvo do único jeito que reconheço como seguro: sozinha.
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Tem gente que olha pra ela e pensa: “essa aguenta tudo”. Porque não chora em público, porque não faz escândalo, porque não vive se queixa...
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Em algum momento, tudo começou a ficar rápido demais. Os dias passam cheios, as horas parecem curtas, e existe sempre a sens...
A Cor do Meu Sangue
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